Uma delegação do Governo Provincial do Namibe esteve, de 18 a 22 de Maio, em missão técnica ao município português de Montemor-o-Novo, no âmbito da Acção de Diálogo “Estratégias Locais de Resiliência e Convivência com o Árido e o Semiárido”, integrada no programa Diálogos UE-Angola.
Ao longo de cinco dias, a missão centrou-se no intercâmbio institucional e técnico em torno de desafios comuns aos dois territórios, particularmente no domínio da adaptação climática, da gestão sustentável dos recursos, da valorização económica do território e do desenvolvimento comunitário.
A delegação angolana integrou a Vice-Governadora Provincial do Namibe para os Serviços Técnicos e Infraestruturas, Ema da Silva, o Administrador Municipal do Virei, André Cassinda, e o Director do Gabinete Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos e Serviços Comunitários, Pedro Hangula.
Montemor-o-Novo, localizado no Alentejo, foi identificado como parceiro estratégico desta Acção de Diálogo pela experiência acumulada na gestão ambiental de territórios marcados por ciclos de seca, escassez hídrica e pressão sobre os solos — desafios com paralelismos directos na realidade do Namibe.
Da inovação local à gestão sustentável do território
Durante a missão, a delegação contactou com projectos, instituições e iniciativas ligadas à inovação territorial, à agricultura
resiliente, à gestão de resíduos, à economia circular, à protecção civil, ao património, à educação e ao desenvolvimento local.
Entre os locais visitados destacam-se a StartUp Montemor-o-Novo, onde foram apresentados projectos de valorização dos produtos locais e iniciativas de empreendedorismo sustentável; a Agrofiap, dedicada à produção e transformação do figo-da-índia; a APORMOR, associação de referência no sector pecuário do Alentejo Central; e a GESAMB, responsável pela gestão e tratamento de resíduos de doze municípios do Alentejo Central.
A missão incluiu igualmente visitas ao Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia (CROAC), à Escola Secundária de Montemor-o-Novo, à Herdade do Freixo do Meio e às Grutas do
Escoural, aprofundando abordagens ligadas à preservação ambiental, à valorização do património e à construção de modelos sustentáveis de desenvolvimento local.
Cooperação institucional e partilha de modelos de governação
Um dos momentos de destaque foi a deslocação a Campo Maior para visita ao Grupo Nabeiro — Delta Cafés, onde a delegação conheceu o Centro de Ciência do Café, a fábrica da Delta e a Adega Mayor. O encontro permitiu reflectir sobre o papel das empresas na dinamização económica e social dos territórios e sobre a importância da inovação associada à valorização da identidade local.
A componente institucional da missão foi reforçada pela participação da delegação numa reunião ordinária da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, proporcionando contacto directo com o funcionamento do modelo de governação autárquica portuguesa.
A missão terminou com uma visita ao Castelo de Montemor-o-Novo e à Biblioteca Municipal Almeida Faria, ocasião em que foi assinalada a intenção de estabelecer uma parceria entre a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo e a Biblioteca do Virei para a doação de livros e promoção da leitura.
Estratégias partilhadas para territórios resilientes
Ao longo da semana, a partilha de experiências permitiu identificar práticas e soluções com potencial de adaptação ao contexto do Namibe, sobretudo nas áreas da convivência com a escassez hídrica, da gestão sustentável do território, da valorização dos recursos locais e do desenvolvimento comunitário.
O balanço da missão é muito positivo, destacando-se o reforço das relações institucionais, a consolidação do diálogo técnico entre Angola e Portugal e a identificação de abordagens concretas para promover maior resiliência ambiental e social em territórios áridos e semiáridos.
A missão técnica dá continuidade ao intercâmbio iniciado em Março de 2026, com a visita de representantes de Montemor-o-Novo à província do Namibe. Os resultados do trabalho desenvolvido serão apresentados num seminário final, previsto para junho, onde serão discutidas abordagens integradas e participativas para promover maior resiliência ambiental e social no Namibe. Uma cooperação assente na partilha de conhecimento e na construção conjunta de soluções sustentáveis.









