A Vice-Governadora de Benguela para o Sector Político, Social e Económico, Cátia Cachuco, partilha os frutos da missão técnica ao Instituto de Apoio à Criança (IAC), em Lisboa, uma experiência que já está a inspirar acções concretas em Benguela para apoiar crianças e adolescentes em situação de rua.
Durante a visita, a equipa de Benguela teve a oportunidade de conhecer metodologias inovadoras de intervenção, observar boas práticas em centros comunitários e explorar linhas de atendimento especializadas, elementos que estão a ser adaptados à realidade local. Nesta entrevista integral, Cátia Cachuco fala sobre as aprendizagens que marcaram a missão, os desafios identificados e as expectativas para o futuro das crianças e jovens mais vulneráveis da província.
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As expectativas do Governo Provincial de Benguela para esta missão foram correspondidas?
Sim, as expectativas foram plenamente correspondidas e até superadas. A visita permitiu cimentar o conhecimento da equipa sobre a problemática das crianças em situação de rua e compreender melhor as diversas formas de intervenção implementadas pelo IAC.
A missão também reforçou a importância da interação interinstitucional e da procura de novas parcerias, essenciais para garantir financiamento e sustentabilidade dos programas. O contacto direto com os modelos de intervenção mostrou-se fundamental para reforçar a visão estratégica da missão.
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Que boas práticas observadas em Lisboa podem ser aplicadas no contexto de Benguela?
Durante a missão, destacaram-se práticas na organização e funcionamento dos centros comunitários. Estes espaços não devem ser apenas locais onde as crianças passam o tempo, mas ambientes que promovam desenvolvimento integral, capacitação e reinserção familiar e social.
O atendimento deve ser personalizado e humanizado, com linhas de apoio específicas para situações de vulnerabilidade ou violência familiar. Também é essencial adaptar os espaços e metodologias à realidade local e criar grupos de coordenação estratégica, combinando acompanhamento especializado e práticas culturalmente ajustadas.
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Que competências da sua equipa foram reforçadas ao longo da missão?
A missão fortaleceu competências técnicas e metodológicas, especialmente no atendimento a crianças em situação de rua. A equipa aprimorou o planeamento interinstitucional e a cooperação com diferentes parceiros. Houve ainda um reforço na capacidade de adaptar metodologias internacionais à realidade de Benguela, no trabalho multidisciplinar e na gestão de casos complexos, fortalecendo a visão de longo prazo e a sustentabilidade das acções.
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Que expectativas tem para a continuação deste projecto?
Espero uma implementação consistente e sustentável do programa, com apoio contínuo do IAC e capacitação das equipas locais. O objectivo é desenvolver uma estratégia conjunta aplicável a todos os municípios da província, promovendo autonomia das crianças e adolescentes e criando centros comunitários humanizados, com metodologias ajustadas à cultura local. A meta final é assegurar que cada criança tenha acesso a uma vida digna e oportunidades reais de inclusão familiar, social e profissional.
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Quais são os principais desafios identificados?
Entre os desafios estão a mudança de paradigma sobre como as crianças vivem na rua, a participação activa das famílias, a capacitação especializada da equipa e a articulação interinstitucional. Garantir recursos e adaptar metodologias à realidade de Benguela são igualmente fundamentais. Apesar disso, a parceria sólida entre governo, equipas técnicas e parceiros locais e internacionais oferece grande potencial para o sucesso do projecto.
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Esta entrevista integra-se na Acção de Diálogo “Promoção da Estratégia para os Meninos de Rua em Benguela”, implementada no âmbito do Programa Diálogos UE-Angola e financiada pela União Europeia.
A iniciativa tem como objectivo reforçar as capacidades institucionais do Governo Provincial de Benguela na protecção e inclusão de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, através da partilha de experiências e da adaptação de boas práticas internacionais à realidade local.
A Acção de Diálogo é dinamizada pelo Governo Provincial de Benguela, enquanto parceiro angolano, e o Instituto de Apoio à Criança (IAC), em Lisboa, enquanto parceiro europeu.









