Cunene reúne decisores e especialistas para debater acção climática em Angola

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Nos dias 25 e 26 de Março de 2026, a província do Cunene foi palco do Seminário “Mitigação e Adaptação às Alterações Climáticas”, um encontro que trouxe à mesma mesa representantes do Governo de Angola, organizações internacionais, academia, sector privado e sociedade civil, com o propósito de aprofundar o debate sobre os desafios e as oportunidades que a acção climática coloca ao país.

A iniciativa foi organizada pelo Ministério do Ambiente de Angola (MINAMB) e pelo Fórum da Energia e Clima (FEC), no âmbito da Acção de Diálogo “Diálogo Nacional sobre Acção Climática”, integrada no programa Diálogos UE–Angola, com financiamento da União Europeia.

Um espaço de diálogo sobre acção climática

Realizado no Município do Cuanhama, um território inserido numa região particularmente afectada pela seca prolongada e por fenómenos climáticos extremos, o seminário constituiu um espaço de diálogo multissectorial sobre mitigação e adaptação às alterações climáticas.

A sua realização coincidiu com o Dia Mundial do Clima, assinalado a 26 de Março, data que sublinhou a pertinência do encontro e o compromisso de Angola com as prioridades da acção climática a nível internacional.

A sessão de abertura contou com intervenções da Ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho Pereira, da Chefe de Cooperação da Delegação da União Europeia em Angola, Mateja Peternelj e da Governadora da Província do Cunene, Gerdina Ulipamwe Didalelwa.

Temas estratégicos e participação institucional

O primeiro dia abriu com a apresentação da “Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas”, a cargo de Ivone Pascoal, Directora Nacional da Acção Climática e Desenvolvimento Sustentável do MINAMB. A sessão seguinte dedicou-se ao tema “Clima, Natureza e Resiliência Territorial”, com contributos do Instituto Nacional de Recursos Hídricos (INRH), do Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas (CETAC), da Universidade do Algarve e da Southern African Science Service Centre for Climate Change and Adaptive Land Management (SASSCAL). Os debates percorreram temas como o Programa de Combate à Seca no Sul de Angola, o Observatório Climático e Ambiental, a gestão da água e da biodiversidade no Algarve enquanto caso de estudo, e o sistema de Iishanas na região transfronteiriça de Angola e Namíbia.

O segundo dia dedicou-se à Agricultura, Agroecologia e Segurança Alimentar. Tomaram a palavra representantes do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do Ministério da Agricultura e Florestas, do projecto ADSWAC, dedicado à resiliência das comunidades na região transfronteiriça de Angola e Namíbia, do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e directores provinciais do ambiente da Huíla e do Cunene. Em debate estiveram soluções para sistemas agrícolas resilientes, a gestão sustentável do solo e da água, iniciativas de reflorestação como as Bolas de Sementes, e experiências no domínio da segurança alimentar, com destaque para o Programa FRESAN.

O seminário encerrou com uma mesa-redonda sobre financiamento climático e cooperação internacional, onde tomaram a palavra representantes do Ministério das Finanças (MINFIN), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

As conclusões e recomendações finais sublinharam, de forma transversal, a necessidade de uma articulação mais estreita entre políticas públicas e de um maior acesso a mecanismos de financiamento internacional.

Enquadramento

O seminário insere-se na Acção de Diálogo “Diálogo Nacional sobre Acção Climática”, no âmbito do programa Diálogos UE–Angola, financiado pela União Europeia.

A iniciativa contribui para a implementação da Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas e está alinhada com as prioridades do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023–2027 e com os compromissos assumidos por Angola no âmbito do Acordo de Paris.

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